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CALENDÁRIO

Com rostos, árvores e oceanos gravados em mim:

- Nos caminhos do sangue, toco-me de eternidade.

(trecho do poema "A Vida", do livro “Calendário”, de Paulo Bomfim)

 

A Calendário é a primeira rua da sequência de seis que compõem o conjunto do Central Parque Lapa, onde registramos a websérie “Lapa”, na Zona Oeste de São Paulo. Curiosamente foi a última rua que gravamos. De um lado há só prédios e no outro só casas. E foi na frente do portão de uma das residências que encontramos Dona Denacir e Simone. Mãe e filha moram há anos na região.

 

Elas cumprimentam quem passa e conhecem todo mundo. Ambas carregam, tanto em palavras como em comportamento, o sentido de “coletividade”: viver o espaço urbano de maneira menos egoísta. Falam sobre o lixo e no quanto nossas ações afetam o outro. Os valores de Simone e Denacir são simples, ligados à família, aos amigos, à sua casa  e mostram um lado de São Paulo que muitas pessoas não percebem. Uma face que fica distante da selva de pedra e que revela um lado mais íntimo, de quem sabe o nome do vizinho, socorre quando alguém fica doente, pede uma xícara de açúcar emprestado e depois leva um pedaço de bolo para retribuir. Foi esse senso de coletividade que ficou como mensagem principal da entrevista e, ao final da breve conversa, sentimos que não era mais necessário prolongar as perguntas.

 

Mas foi no momento de montar esta história na timeline, na edição, e muito tempo depois da gravação da entrevista, que vimos nascer algumas questões… Por que elas adotaram esse pensamento? Como foi a infância de Simone naquele bairro onde vivem há décadas? Quais foram suas principais experiências de vida? Medos, frustrações? Grandes questões que obviamente são simplificadas no decorrer da conversa, em relatos de histórias e momentos daquele que foi convidado a falar. Mas ao mesmo tempo é um desafio abordar alguém no portão de sua casa - que ainda é um espaço público - e conseguir uma intimidade que revele inquietações mais profundas.

 

Nós nunca vamos pautadas a um encontro e tampouco fazemos uma pré-produção. Taí o desafio do Ouvidoria: captar esta espontaneidade da melhor maneira possível. Mas foi nesse episódio que vimos a importância de enxergar além do encontro, de sentir a necessidade (ou não) de continuar a entrevista, de que precisávamos nos aprofundar mais na história daquelas mulheres. O que fica é uma sensação de que a vida cotidiana, o carinho e a simplicidade têm espaço ainda que você viva em São Paulo.

 

Sheila Ana Calgaro e Simone Castro

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